terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Biografia - Eugénia Lima

Eugénia de Jesus Lima nasceu a 29 de março de 1926 em Castelo Branco, filha de Mário António de Lima e de Maria do Rosário Martins de Lima.
O seu pai era afinador de acordeões, principalmente de concertinas (acordeão diatónico) e Eugénia começou com 1 ou 2 anos a brincar com os acordeões e aos 4 anos, a tocar. A partir daí iniciou uma carreira distinta, sendo ainda hoje considerada uma das melhores intérpretes a nível mundial.
Aos 4 anos atuou pela primeira vez em palco no Cinema-Teatro Vaz Preto, em Castelo Branco e começou um período de atuações em toda a Beira Baixa, que lhe valeram a alcunha de "Miúda de Castelo Branco".
Aos 6 anos ouviu tocar em Castelo Branco, os Ferreiros, José Ferreiro Pai e Filho. Estes deram-lhe a conhecer o acordeão cromático, e conseguiram convencer o seu pai a comprar-lhe o seu primeiro acordeão.
Aos 8 anos apresentou-se como atração da Revista "Peixe-espada", em 1935 no Teatro Variedades, e a partir daí, atuou em várias casas de espetáculos de Lisboa na altura, nomeadamente o Teatro Eden, Solar da Alegria, Café Luso e o Retiro da Severa.
No dia 21 de Novembro desse ano, estreou-se na rádio num programa do folclore da Beira Baixa, na então Emissora Nacional. Aprendeu a tocar acordeão sozinha, mas teve professores de teoria musical, José Piló Rodrigues Cambaio e Mário de Nascimento Ribeiro, ambos músicos da Banda Militar de Castelo Branco.
Aos 13 anos, o pai tentou inscrevê-la no Conservatório de Lisboa, mas os responsáveis disseram-lhe que o acordeão não tinha entrada naquela instituição e a sua candidatura foi rejeitada. Na altura, as leis vigorantes não autorizavam a atuação de artistas menores em casas de espetáculos. Aos 15 anos, a sua atuação no Casino do Estoril, com uma autorização especial, teve um grande sucesso. Também com uma autorização cedida pela Presidência da República, Eugénia Lima continuou as suas atuações por todo o país.
A sua primeira viagem ao estrangeiro, foi a Paris, em 1947, onde realizou vários espetáculos para emigrantes e não só, a convite da fábrica de acordeões famosa, Fratelli Crosio. Eugénia atuou diversas vezes na televisão e em vários países, designadamente Estados Unidos, Canadá, Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai, Brasil, Angola, África do Sul, Moçambique, Rodésia, França, Bélgica, Alemanha, Itália, Áustria, etc. Fez digressões pela Europa e África.
Compôs mais de 200 melodias e imensos arranjos de outras músicas, tendo gravado mais de 50 discos desde 1943. Escreveu melodias para vários artistas consagrados. "As músicas que fiz foram feitas por amor à arte e refletem o meu estado de espírito naquela altura. Mais de 80% das minhas músicas nasceram no palco, de improviso", revelou.
Foi para o Algarve através dos Ferreiros com quem criou uma grande afinidade e onde encontrou uma grande quantidade de acordeonistas, principalmente em Bordeira, onde viveu e lecionou acordeão, na casa que pertenceu a António Guerreiro dos Prazeres, primo direito de José Ferreiro (Filho). Os algarvios nunca tinham visto uma mulher a tocar com tamanha arte, e ficaram surpreendidos com as suas técnicas. A grande quantidade de corridinhos que compôs, entre eles, «Coração Algarvio», demonstra o carinho que esta senhora do acordeão tem pelo Algarve.
Ao longo do seu percurso, conquistou para o seu curriculum imensas distinções. Em 1947 venceu o Concurso de Acordeonistas, promovido pela então Emissora Nacional. Foi fundadora da Orquestra Típica Albicastrense em 16 de Julho de 1956. Arrecadou o "Óscar da Imprensa" em 1962, como melhor solista de música ligeira e possui incontáveis medalhas e diplomas, recebidos em Portugal e no estrangeiro.
É cooperadora da Sociedade Portuguesa de Autores desde Maio de 1977. O seu nome consta no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis de Américo Lopes de Oliveira e Mário Gonçalves Viana. Em Maio de 1980 foi condecorada com o grau de Dama da Ordem Militar de Santiago de Espada, pelo Sr. Presidente da República, General Ramalho Eanes.
Foi aos 52 anos para Paris, onde concluiu o Curso Superior de Acordeão na categoria de Professora, três anos mais tarde, pelo Conservatório de Acordeão de Paris. A União Nacional dos Acordeonistas de França atribui-lhe o seu Diploma Honorífico, em Setembro de 1984, pela primeira vez a um estrangeiro. Em 10 de Setembro de 1986 foi agraciada com a medalha de Mérito Cultural, no Dia Mundial da Música, pelo Ministro da Cultura. Já em Outubro de 1995 foi galardoada com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Sr. Presidente da República Dr. Mário Soares.
Atualmente vive em Rio Maior, onde existe um espaço que é um autêntico museu sobre a história desta, que é a maior e mais antiga acordeonista portuguesa, considerada a Rainha do Acordeão. Doente de Parkinson, Eugénia Lima deixou uma mensagem de coragem para outras pessoas na mesma situação: "Tenho uma doença que tem incapacitado muita gente, mas não me deixo vencer por ela facilmente. Já não tenho idade para fazer projetos a longo prazo, mas tento viver cada dia o melhor que posso".
Após a morte do seu marido e devido à sua doença, interrompeu a atividade, mas depressa voltou aos palcos, e como sempre, foi bem recebida pelo público que nunca a esqueceu. Aos 85 anos, com 81 anos de carreira, é uma das maiores acordeonistas de sempre, e regressou ao Algarve para uma homenagem que teve lotação esgotada e que reuniu fãs de vários pontos da região.
As composições da sua autoria que mais se destacam são «Minha Vida, Meu Sonho», «Noitinhas», que compôs com 14 anos, «A minha lágrima», «Quando a saudade é presença», «Fadinho de Silvares» e o «Picadinho da Beira», da década de 40, dedicado à sua terra natal, a Beira Baixa.



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