Eugénia de Jesus
Lima nasceu a 29 de março de 1926 em Castelo Branco, filha de Mário
António de Lima e de Maria do Rosário Martins de Lima.
Aos
4 anos atuou pela primeira vez em palco no Cinema-Teatro Vaz Preto, em Castelo
Branco e começou um período de atuações em toda a Beira Baixa, que lhe valeram
a alcunha de "Miúda de Castelo Branco".
Aos 6 anos ouviu tocar em Castelo Branco, os
Ferreiros, José Ferreiro Pai e Filho. Estes deram-lhe a conhecer o acordeão
cromático, e conseguiram convencer o seu pai a comprar-lhe o seu primeiro
acordeão.
Aos
8 anos apresentou-se como atração da Revista "Peixe-espada", em 1935
no Teatro Variedades, e a partir daí, atuou em várias casas de espetáculos de
Lisboa na altura, nomeadamente o Teatro Eden, Solar da Alegria, Café Luso e o
Retiro da Severa.
No
dia 21 de Novembro desse ano, estreou-se na rádio num programa do folclore da
Beira Baixa, na então Emissora Nacional. Aprendeu a tocar acordeão sozinha, mas
teve professores de teoria musical, José Piló Rodrigues Cambaio e Mário de
Nascimento Ribeiro, ambos músicos da Banda Militar de Castelo Branco.
Aos
13 anos, o pai tentou inscrevê-la no Conservatório de Lisboa, mas os
responsáveis disseram-lhe que o acordeão não tinha entrada naquela instituição
e a sua candidatura foi rejeitada. Na
altura, as leis vigorantes não autorizavam a atuação de artistas menores em
casas de espetáculos. Aos 15
anos, a sua atuação no Casino do Estoril, com uma autorização especial, teve um
grande sucesso. Também com uma autorização cedida pela Presidência da
República, Eugénia Lima continuou as suas atuações por todo o país.
A sua primeira viagem ao estrangeiro, foi a Paris, em 1947, onde
realizou vários espetáculos para emigrantes e não só, a convite da fábrica de
acordeões famosa, Fratelli
Crosio. Eugénia atuou diversas vezes na televisão e em vários países,
designadamente Estados Unidos, Canadá, Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai,
Brasil, Angola, África do Sul, Moçambique, Rodésia, França, Bélgica, Alemanha, Itália,
Áustria, etc. Fez digressões pela Europa e África.
Compôs mais de 200 melodias e imensos arranjos de outras músicas,
tendo gravado mais de 50
discos desde 1943. Escreveu melodias para vários artistas consagrados. "As
músicas que fiz foram feitas por amor à arte e refletem o meu estado de
espírito naquela altura. Mais de 80% das minhas músicas nasceram no palco, de
improviso", revelou.
Foi para o Algarve
através dos Ferreiros com quem criou uma grande afinidade e onde encontrou uma
grande quantidade de acordeonistas, principalmente em Bordeira, onde viveu e
lecionou acordeão, na casa que pertenceu a António Guerreiro dos Prazeres,
primo direito de José Ferreiro (Filho). Os algarvios nunca tinham visto uma
mulher a tocar com tamanha arte, e ficaram surpreendidos com as suas técnicas.
A grande quantidade de corridinhos que compôs, entre eles, «Coração Algarvio», demonstra o
carinho que esta senhora do acordeão tem
pelo Algarve.
Ao
longo do seu percurso, conquistou para o seu curriculum imensas distinções. Em
1947 venceu o Concurso de Acordeonistas, promovido pela então Emissora
Nacional. Foi fundadora da Orquestra Típica Albicastrense em 16 de Julho de 1956. Arrecadou o "Óscar
da Imprensa" em 1962, como melhor solista de música ligeira e possui
incontáveis medalhas e diplomas, recebidos em Portugal e no estrangeiro.
É cooperadora da Sociedade Portuguesa de Autores desde Maio de
1977. O seu nome consta no Dicionário Mundial de Mulheres
Notáveis de Américo Lopes de
Oliveira e Mário Gonçalves Viana. Em Maio de 1980 foi condecorada com o grau de
Dama da Ordem Militar de Santiago de Espada, pelo Sr. Presidente da República,
General Ramalho Eanes.
Foi aos 52 anos para Paris, onde concluiu o Curso Superior de
Acordeão na categoria de Professora, três anos mais tarde, pelo Conservatório
de Acordeão de Paris. A União Nacional dos Acordeonistas de França atribui-lhe
o seu Diploma Honorífico, em Setembro de 1984, pela primeira vez a um
estrangeiro. Em 10 de Setembro de 1986 foi agraciada com a medalha de Mérito
Cultural, no Dia Mundial da Música, pelo Ministro da Cultura. Já em Outubro de
1995 foi galardoada com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D.
Henrique, atribuído pelo Sr. Presidente da República Dr. Mário Soares.
Atualmente vive em Rio Maior, onde existe um espaço que é um autêntico museu sobre
a história desta, que é a maior e mais antiga acordeonista portuguesa,
considerada a Rainha do Acordeão. Doente de Parkinson, Eugénia Lima deixou uma
mensagem de coragem para outras pessoas na mesma situação: "Tenho uma
doença que tem incapacitado muita gente, mas não me deixo vencer por ela
facilmente. Já não tenho idade para fazer projetos a longo prazo, mas tento
viver cada dia o melhor que posso".
Após a morte do seu marido e devido à sua doença, interrompeu a atividade,
mas depressa voltou aos palcos, e como sempre, foi bem recebida pelo público
que nunca a esqueceu. Aos 85 anos, com 81 anos de carreira, é uma das maiores
acordeonistas de sempre, e regressou ao Algarve para uma homenagem que teve
lotação esgotada e que reuniu fãs de vários pontos da região.
As composições da sua autoria que mais se destacam são «Minha
Vida, Meu Sonho», «Noitinhas», que compôs com 14 anos, «A minha lágrima»,
«Quando a saudade é presença», «Fadinho de Silvares» e o «Picadinho da Beira», da década de 40, dedicado à sua terra
natal, a Beira Baixa.
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